A P P A

Informações, notícias & curiosidades

Você quer saber mais sobre esses assuntos? Clique no texto abaixo:

Folha Verde online - Informativo da APPA

Carta de Intenções do IX Fórum

Moção de Apoio à Tramitação do Projeto de Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Eventos - IX Fórum de Debates sobre a Proteção Ambiental no Extremo Sul da Bahia

Editais & Termos de Referência

Tempo de decomposição do lixo

Para você defender a natureza

Fauna e biodiversidade

Tartarugas marinhas

A mata atlântica

Agenda 21

Tempo de decomposição do lixo

 Pense bem antes de jogar seu lixo em qualquer lugar.

Lugar de lixo é no lixo.

Lata de alumínio                                200 a 500 anos 

Plástico                                               450 anos 

Latas de conserva                            100 anos 

Madeira pintada                                13 anos 

Chicletes                                            05 anos 

Cigarro                                               01 a 02 anos 

Meias de lã                                        01 ano 

Corda                                                 03 a 04 meses 

Tecido de algodão                            01 a 05 meses 

Garrafa de vidro                               Indeterminado  

Pneus                                                Indeterminado 

Caixas de papel                               03 anos

Nylon                                                 650 anos 

Copos de plástico                            50 anos 

Jornal                                                 06 meses

Para você defender a natureza

1- Não crie animais silvestres. Eles não se adaptam em cativeiros. Quando capturados em seu habitat natural, são levados para cativeiros e lá não se reproduzem e, muitas vezes, morrem. Esses são alguns exemplos de animais silvestres: Papagaios, periquitos, tartarugas, macacos sagüis e muitos outros.

 2- Não suje o meio ambiente. Na escola, na rua e em casa, coloque o lixo sempre no cesto de lixo. Quando fizer piquenique em lugares silvestres, junte todo o lixo e traga-o de volta com você.

 3- Não use produtos com pele, couro ou ossos de animais silvestres. Existem outros produtos que podem substituí-los, sem o sacrifício da vida dos animais.

 4- Não ligue muitos aparelhos e lâmpadas de uma só vez. Procedendo assim, você gasta muita energia elétrica, obrigando a construção de mais hidroelétricas para gerar mais energia, que vai inundar imensas áreas com florestas e animais nativos.

 5- Não ouça música muito alta. Seus vizinhos podem não gostar, e não são obrigados a ouvi-la. A vida moderna já é muito barulhenta. Ouvir música no volume moderado elimina o estresse e a poluição sonora.

 6- Praia limpa. Quando for à praia, não jogue lixo na areia ou na água. Palito de picolé, lata de refrigerante, casca de fruta, tudo tem lugar certo. No cesto de lixo.

 7- Quando for à praia, não leve para casa as plantinhas, os peixinhos, os ouriços e outros bichinhos do mar. Eles não se adaptarão ao novo ambiente e morrerão.

 8- Promova e participe  de campanhas contra o fumo. O ar que respiramos já é muito poluído e o cigarro ajuda a poluí-lo ainda mais, além de fazer muito mal à saúde.

 9- Plante uma árvore na sua casa ou na sua rua, e cuide dela. As árvores são fundamentais à vida na terra.

 10- Seja você um fiscal da natureza. Depende de cada um de nós a proteção do meio ambiente, pois a natureza não se defende. Se vinga.

Fauna e Biodiversidade

Aline do Carmo

Analista Ambiental do Ibama - PND

 Sabe-se que as florestas tropicais são ambientes com diversidade biológica altíssima. Neste contexto, a Mata Atlântica destaca-se como detentora não só de uma enorme biodiversidade, como também por abrigar espécies de plantas e animais que só existem naquele local. Muitas destas espécies estão ameaçadas de extinção devido a vários fatores, dentre os quais se destaca a destruição da quase totalidade das áreas florestais.

 Muitos podem cogitar que a extinção de uma espécie da fauna, apesar de terrível, pode parecer pouco relevante em um contexto mais global. Engana-se quem pensa assim. As complicadas relações entre os seres vivos fazem com que cada espécie seja fundamental para a integridade de uma mata. São os animais os grandes polinizadores e também os principais responsáveis pela dispersão de sementes, inclusive das grandes árvores em extinção. Neste sentido, uma floresta sem animais estaria condenada a perecer, uma vez que não haveria meios para ela se perpetuar. 

O Parque Nacional Descobrimento destaca-se por ser o maior fragmento protegido de Mata Atlântica do nordeste brasileiro. Pesquisas indicam que apenas grandes áreas como o Parque conseguem conservar efetivamente  animais de grande porte ameaçados, tornando possível que suas populações continuem se reproduzindo. Apesar desta Unidade de Conservação existir há apenas quatro anos, os efeitos de sua criação já se fazem sentir. Depoimentos de pessoas que moram em áreas circundantes ao Parque apontam que certos animais, que não eram vistos há muito tempo, estão reaparecendo em suas propriedades, um indício de que suas populações estão aumentando. 

Entretanto, nem todas as notícias são boas. Apesar dos esforços da equipe do Parque, muitas pessoas ainda praticam a caça na região, um ato cruel e primitivo, sendo que muitas vezes animais à beira da extinção são abatidos. O roubo de madeira e os incêndios provenientes de queimadas ilegais também são fatores que afetam negativamente a fauna, uma vez que causam a destruição da floresta, reduzindo ainda mais os fragmentos remanescentes.

Outra atividade revoltante é o tão divulgado tráfico de animais silvestres. Pode não parecer, mas o simples fato de comprar um bichinho de estimação diferente, como um papagaio ou um mico, acaba contribuindo diretamente para a ocorrência deste crime hediondo. E uma vez tirado de seu lugar de origem, ainda que o animal seja apreendido pelo IBAMA, antes de ele poder ser devolvido à natureza, haverá um árduo trabalho de readaptação, nem sempre bem sucedido. 

Diante deste quadro, buscamos soluções. A iminente criação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres em Eunápolis é uma grande vitória para a fauna do Extremo Sul da Bahia. Mas isso só não basta frente a tantos problemas. A regeneração de áreas degradadas, recuperando e aumentando os locais de ocorrência de espécies de fauna ameaçada, também é fundamental. O estabelecimento de parcerias, visando maiores investimentos em pesquisa, fiscalização e educação ambiental, são necessidades urgentes para as estratégias de conservação.

 Por fim, nenhum esforço neste sentido será bem sucedido sem a ajuda da população. Esta ajuda pode se dar de muitas formas: não comprando animais silvestres, não caçando, denunciando ao IBAMA quem pratica crimes ambientais e, principalmente, divulgando para as pessoas que, se cada um fizer a sua parte, a biodiversidade, maior riqueza da região, continuará sendo motivo de orgulho para todos nós.

Tartarugas marinhas

Conheça um pouco mais sobre a Tartaruga-Verde, o símbolo do Projeto Amiga Tartaruga (PAT)

Lourdes Acerbi e Paolo Botticelli.

 Os pescadores da região comentam que avistam ainda muitas tartarugas nadando à volta dos nossos recifes de corais ou em baixo das nossas lindas falésias.  A maior parte são Tartarugas-Verdes (Chelonia mydas).  Embora não desovem em nossas praias, o Sul da Bahia é uma importante área de alimentação de juvenis dessa espécie - por serem herbívoras, vêm se alimentar de pastagens marinhas e algas - tanto assim que o PAT escolheu a Tartaruga-Verde como símbolo do projeto.  

Curiosamente, não é a cor externa que lhe deu esse nome, mas sim a gordura localizada abaixo de sua carapaça, que tem a forma oval.  A cor da carapaça de um indivíduo adulto varia de castanho esverdeado a cinzento.  É a maior das tartarugas marinhas de carapaça dura. O casco pode medir até 150cm e seu peso varia de 40kg a 160kg, chegando a pesar até 350kg.  Uma de suas peculiaridades é o maxilar serrilhado para cortar a vegetação de que se alimenta na idade adulta.

 A Tartaruga-Verde é, provavelmente, a mais conhecida das tartarugas marinhas, por causa da “sopa de tartaruga” e pela quantidade de pesquisas realizadas para conhecer um pouco mais sobre ela.  Algumas dessas pesquisas vêm sendo conduzidas em função de uma doença chamada fibropapilomatose: tumores que se espalham pelo corpo do animal, prejudicando a mobilidade e a alimentação das tartarugas, levando-as à morte, e que parece acometer mais as Tartarugas-Verdes. Um estudo feito pela Associação Brasileira de Microbiologia do Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, aponta que 43,8% das Tartarugas-Verdes apresentaram salmonelas. Os quelônios marinhos são também vetores das hepatites A e B. 

Todas as tartarugas marinhas da nossa região estão na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção da UICN – União Mundial para a Natureza e do IBAMA.  Dessa forma, vale lembrar que, no Brasil, a pesca e o abate de tartarugas marinhas, assim como a coleta de seus ovos, é proibido por lei, sendo crime inafiançável, com pena de até dois anos de cadeia (Port. n.º 005 de 31 de janeiro de 1986 e Lei de Crimes Ambientais).

 A proteção das tartarugas marinhas e a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos são responsabilidade de cada um de nós, para permitir que as futuras gerações também tenham o privilégio de testemunhar este maravilhoso ciclo de vida.  

O Projeto Amiga Tartaruga (PAT) é uma ONG (organização não-governamental) que atua desde 1997 na chamada Costa do Descobrimento, nos municípios de Belmonte, Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Prado. Em Prado, esse trabalho é desenvolvido em parceria com a Appa, sob a coordenação do Régis, que monitora os 84km de litoral pradense, e apoio do Marcelo Mejia, que faz todo o registro fotográfico das ocorrências. 

O PAT tem como objetivo a Conservação, Proteção e Manejo dos ecossistemas marinhos, através da conscientização e participação das comunidades locais.

Operando exclusivamente com trabalho voluntário, o PAT foi a primeira ONG brasileira autorizada a efetuar o manejo de tartarugas marinhas, através do "Protocolo pela Proteção das Tartarugas Marinhas", assinado em 1998 com o Projeto Tamar - Ibama.  

Saiba outros detalhes sobre as tartarugas marinhas

As tartarugas marinhas costumam subir para desovar à noite.  Em geral, estimamos o horário de desova pelos rastros que ela deixa, comparados à tábua de maré. Quando ela desova na maré baixa, os rastros são bem nítidos. Os rastros mais nítidos são os que ela deixa quando sobe para desovar. 

 Dá-se o nome de “cama” a toda a área que a tartaruga marinha limpa com as nadadeiras anteriores para então cavar um buraco com as posteriores, onde coloca os ovos. O local onde esses ovos são depositados é chamado de “boca do ninho”. As tartarugas podem fazer duas, três ou mais camas.

 As desovas podem acontecer na areia ou na salsa (vegetação de restinga) da praia e mesmo no pé do barranco formado pela maré alta.  Mesmo assim, muitas delas sobem o barranco para desovar, fazendo a cama e colocando seus ovos na faixa de praia ocupada pela salsa. 

Quais espécies desovam aqui? Pelos dados coletados, estima-se que as tartarugas Cabeçuda (Caretta caretta) e Pente são mais freqüentes, com algumas desovas da espécie Oliva. No município de Prado existem registros de desova da tartaruga de couro.  

Data da eclosão: Dependendo do clima, a eclosão acontece cerca de 50 a 60 dias da data de desova; se mais chuvoso, pode acontecer atraso nas eclosões, porém, se o clima estiver quente, essas podem ser antecipadas de 5 a 10 dias.   

Quantas tartaruguinhas nascem em cada ninho? Normalmente a eclosão em um ninho pode trazer à vida  90 a 180 tartaruguinhas. 

Levando-se em conta que apenas 1 em cada 1.000 tartaruguinhas nascidas conseguem atingir a idade adulta para reprodução, voltando para desovar na mesma praia onde nasceu somente quando tiver entre 25 e 30 anos de idade, é muito importante fazer o possível para  protegê-las!   

Faça a sua parte: não consuma carne e ovos de tartarugas marinhas ou seus subprodutos!

A mata atlântica

A Mata Atlântica está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ao longo de toda a costa brasileira a sua largura varia entre pequenas faixas e grandes extensões, atingindo em média 200 km de largura.

Assim, ao longo de todo sua extensão, a Mata Atlântica apresenta uma variedade de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano.

Aspectos Geográficos

A Mata Atlântica está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ao longo de toda a costa brasileira a sua largura varia entre pequenas faixas e grandes extensões, atingindo em média 200 km de largura.

Neste breve parágrafo acima facilmente notamos o que é uma das mais importantes razões pela qual a Mata Atlântica é tão rica em sua biodiversidade. Uma árvore de uma dada espécie nascida no nível do mar difere de uma árvore desta mesma espécie no topo da serra. Se uma variação de altitude apenas já exerce influencia significativa sobre as espécies, é possível imaginar o que a diferença de pluviosidade, temperatura, fertilidade dos solos, relevo, iluminação, entre muitas outras, gerou em termos de diversidade de flora, fauna, micororganismos, e os ecossistemas que estes compõem, ao longo do litoral brasileiro.

Assim, ao longo de todo sua extensão, a Mata Atlântica apresenta uma variedade de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano. Segue um breve descritivo destas diversas formações:

Próximo aos oceanos, estão as planícies de restinga, dunas, mangues, lagunas e outros estuários de menor proporção. Os mangues estão presentes às margens das lagunas ou de rios de água salobra, variando conforme as marés. Eles são considerados os berçários de grande parte da vida marinha.

Na Região Sudeste está presente a Serra do Mar com uma grande cobertura vegetal e constituindo uma verdadeira muralha, ou ainda, o primeiro degrau dos planaltos do interior. Em função das suas várias reentrâncias, toda costa marítima da Serra do Mar é constituída de baías e enseadas.

Já na Região Sul e Sudeste, destacam-se vários dos mais importantes sistemas lagunares do Brasil, com a Lagoa Patos e Mirim, no Rio Grande do Sul e o Lagamar, em São Paulo entre várias sistemas menores espalhados pelo Brasil.

Na Bahia, grande parte da Mata Atlântica fica restrita à região litorânea, mas ao Sul do Estado ela avança para os planaltos do interior em diversos patamares, como se fosse uma grande escadaria.

A fisionomia da paisagem não reflete apenas a junção dos resultados de contínuas e diferentes mudanças climáticas ao longo da história da formação do planeta, mas também representa seu efeitos acumulados no tempo e no espaço, inter-relacionando a história geológica e a paleogeografia, que é a "pré-história" das mudanças dos relevos em relação ao diferentes climas.

A Fauna e a Flora

  

A Mata Atlântica representa uma grande riqueza de patrimônio genético e paisagístico, demonstrada por índices verdadeiramente impressionantes: 55% das espécies arbóreas e 40% para espécies não arbóreas são endêmicas (ou seja: uma, entre cada duas espécies ocorre exclusivamente naquele local). Os números não param por aí: 70% no caso de espécies como as bromélias e orquídeas e no caso da fauna, 39% dos mamíferos que vivem na floresta são endêmicos. Mais de 15% dos primatas existentes no Brasil habitam a floresta e a grande maioria dessas espécies são endêmicas.
 

Fauna

Garça-branca-pequena -Mico-leão-de-cara-dourada -Bicho-preguiça -Gato-do-mato -Tié-sangue -Borboleta
Tamanduá-bandeira -Sagui-da-serra -Tatu-peludo -Caranguejo-guaiamu -Mono-carvoeiro -Jaguatirica- Tucano -Cobrras


Flora

Guapuruvu - Caixeta -Pinheiro-do-Paraná -Quaresmeira e Manacá -Cássia Orquídeas -Araucária -Urucum -Jequitibá-rosa -Embaúbba - Pau-brasil - Orelha-de-pau - Sibipiruna - Cedro - Ipê-amarelo - Jacarandá -Manacá-da-serra - Palmito-juçara - Pau-ferro
 

Impactos e pressões sobre os remanescentes

Após 500 anos de destruição ininterrupta, ora mais rápido, ora menos, os poucos remanescentes que restaram da Mata Atlântica continuam e continuarão sofrendo impactos até quase sua extinção total. Entre os principais motivos podemos destacar: a política desenvolvimentista da década de 1970, a poluição ambiental, o crescimento desordenado de quatro das principais capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, a política de reforma agrária praticada na década de 1980, a falta de uma política florestal nacional, a prática de queimadas para a criação de novas áreas para pastagem, entre outros. Vamos a seguir analisar esses itens.

A política desenvolvimentista da década de 1970, incrementada pela visão militarista de grandes obras, construiu hidrelétricas, pontes, rodovias, barragens, usinas nucleares, incentivou a implantação de grandes conglomerados industriais, tais como Cubatão. Isso significou para a Mata Atlântica a perda de grandes áreas, além da sua contínua fragilização e fragmentação. Tal visão desenvolvimentista só foi encontrar os primeiros obstáculos já em meados da década de 1980, com o processo de reabertura política e o escasseamento dos empréstimos internacionais que financiavam as grandes obras.

Um dos problemas mais graves que a região da Serra do Mar sofreu na década de 1980, também em função da política desenvolvimentista, foi a implantação do pólo industrial de Cubatão, para a fabricação de aço, petróleo, cimento e produtos químicos. As consequências dessa política tornaram Cubatão sinônimo mundialmente famoso de catástrofe ecológica. Tais indústrias foram instaladas sem qualquer preocupação ou controle dos riscos ambientais, além de ter atraído para a região uma enorme quantidade de pessoas sem qualificação profissional que foram morar em favelas construídas sobre os manguezais e próximas das indústrias. A união desses dois elementos foi crucial para um aumento significativo de deslizamentos que passaram de 165 para 525 entre 1971 e 1985, causados pelas chuvas ácidas, além de uma catástrofe que provocou a morte de mais de duzentas pessoas, por conta de um vazamento de gasolina.

Um outro fator que tem contribuído para a diminuição dos remanescentes de Mata Atlântica é o crescimento desordenado das cidades. A demanda de matéria-prima, energia e espaço das cidades tem provocado cada vez mais o esgotamento da floresta. As últimas matas primárias existentes, protegidas ou não, estão sendo cortadas e vendidas. Os loteadores clandestinos agem nas brechas da falta de fiscalização, vendendo lotes baratos para a população de baixa renda, alegando uma futura regularização.

Em São Paulo, em 1997 um milhão de árvores foram retiradas da Serra da Cantareira, considerada a maior floresta urbana do mundo. Neste mesmo caminho, encontram-se as especulações imobiliárias do litoral para as casas de veraneio, com a apresentação de títulos de propriedade duvidosos, expropriações forçadas, apropriação de terras indígenas.

É nas áreas litorâneas que a Mata Atlântica sofre os maiores impactos. A especulação imobiliária, a pressão demográfica e a ocupação desregrada estimulam a degradação ambiental. O que atualmente se observa, além da ocupação clandestina, é a implantação de grandes complexos turísticos sem um planejamento ambiental devidamente orientado, novos condomínios que devastam as últimas áreas de restinga e matas de encosta. Nestes locais não são implantados sistemas de esgotamento sanitário, o que também acaba por prejudicar os poucos manguezais ainda existentes e também a fauna marinha da costa.

Dois destaques importantes que pressionaram para a ameaça de extinção da floresta foram as ações ou a falta de ações governamentais para a proteção Mata Atlântica. A política de reforma agrária da década de 1980 trouxe outros prejuízos para a Mata, já que neste período o INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária classificava a terra de matas como "subutilizada", não fazendo distinção entre floresta nativa e plantada. Neste período os proprietários de terras que se sentiam ameaçados pela prováveis desapropriações correram em vender o que restava de madeira em suas propriedades, ou então, queimavam suas reservas legais e a transformavam em pastagens.

O segundo destaque foi a falta de uma política florestal sistematizada. As unidades de conservação criadas nos últimos anos para proteger o que restava da floresta eram uma verdadeira mistura de conceitos: várias classificações diferentes, criadas de formas variadas por tipos de leis diferentes. Essa fragilidade legal abria espaço para que vários órgãos públicos se responsabilizassem por áreas de remanescentes, assim os recursos financeiros também eram dispersos, o que impedia a criação de um sistema de fiscalização único.

Muitas das unidades criadas não possuíam referência legal, ou seja, não se conhecia sua extensão, e por conseqüência seus limites, o que permitia as ações predatórias das serrarias, dos loteadores, dos pecuaristas, dos latifundiários e dos próprios governos que continuavam a implantar seus projetos sem avaliar os impactos ambientais. A burocracia também deu sua contribuição para diminuir a extensão da Mata Atlântica.

Um dos piores inimigos da floresta foi e continua sendo o fogo. A técnica adquirida no período da colonização, nunca foi abandonada pelos agricultores e pecuaristas, sejam eles grandes ou pequenos proprietários. Em 1986, 13% das terras de mata de Minas Gerais foram queimadas e em 1989 foi a vez de 300 km2 da floresta ao sul da Bahia. Por meio de inúmeras pesquisas, descobriu-se que até metade dos incêndios florestais ocorridos na mata são criminosos, o que significa dizer que a legislação não tem sido aplicada de forma eficiente.

O resultado de todos esses processos destrutivos é uma fragmentação cada vez maior da Mata Atlântica e a conseqüente perda da biodiversidade, seja pela perda de áreas significativas, seja pela diminuição da troca genética.
 

Fonte: SOS Mata atlântica

Agenda 21

A agenda 21 constitui um termo de compromisso da sociedade com o desenvolvimento sustentável, apresentando um elenco de estratégias e proposições para sua consolidação, buscando soluções para os problemas atuais e a preparação do mundo para enfrentar os desafios do século XXI (SÉCULO 21) - daí chamar-se AGENDA 21.

A agenda 21 deve resultar do esforço integrado de todos os setores e grupos, sejam instituições públicas e privadas ou a sociedade civil organizada, através de iniciativas e projetos voltados para a melhoria da qualidade de vida, para a promoção do desenvolvimento sustentável e para o fortalecimento da cidadania.

Qualidade de vida é o direito do cidadão a um Meio Ambiente ecologicamente equilibrado e às condições básicas para sua sobrevivência e o exercício da cidadania.

O Desenvolvimento socialmente sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias.

A agenda 21 local começa quando os grupos, comunidades e governo local passam a acreditar nas mudanças positivas que as ações discutidas e priorizadas podem trazer para a qualidade de vida, fortalecendo a participação da comunidade na definição dos caminhos para o desenvolvimento municipal. É um processo contínuo, sem data para terminar, pois são metas que vão sendo realizadas passo a passo e ao mesmo tempo vão se propondo outras. O importante não é definir quando ela começa ou termina, mas que resulte de um processo participativo.

Como a questão do desenvolvimento sustentável não considera apenas as questões ambientais, o poder executivo local deve difundir este conceito junto a todos os setores da Administração Municipal, através da sensibilização e envolvimento da comunidade, dentro de uma visão global do tema.

 

 

Rod. Prado x Itamaraju km 1,5, Ribeira , Núcleo de Educação Ambiental:: (73) 3298 1647 :: appa@pradonet.com.br