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Fauna e BiodiversidadeAline do Carmo
Analista Ambiental do
Ibama
Sabe-se que as florestas tropicais são ambientes com diversidade biológica altíssima. Neste contexto, a Mata Atlântica destaca-se como detentora não só de uma enorme biodiversidade, como também por abrigar espécies de plantas e animais que só existem naquele local. Muitas destas espécies estão ameaçadas de extinção devido a vários fatores, dentre os quais se destaca a destruição da quase totalidade das áreas florestais.
Muitos podem cogitar que a extinção de uma espécie da fauna, apesar de terrível, pode parecer pouco relevante em um contexto mais global. Engana-se quem pensa assim. As complicadas relações entre os seres vivos fazem com que cada espécie seja fundamental para a integridade de uma mata. São os animais os grandes polinizadores e também os principais responsáveis pela dispersão de sementes, inclusive das grandes árvores em extinção. Neste sentido, uma floresta sem animais estaria condenada a perecer, uma vez que não haveria meios para ela se perpetuar.
O Parque Nacional Descobrimento destaca-se por ser o maior fragmento protegido de Mata Atlântica do nordeste brasileiro. Pesquisas indicam que apenas grandes áreas como o Parque conseguem conservar efetivamente animais de grande porte ameaçados, tornando possível que suas populações continuem se reproduzindo. Apesar desta Unidade de Conservação existir há apenas quatro anos, os efeitos de sua criação já se fazem sentir. Depoimentos de pessoas que moram em áreas circundantes ao Parque apontam que certos animais, que não eram vistos há muito tempo, estão reaparecendo em suas propriedades, um indício de que suas populações estão aumentando.
Entretanto, nem todas as notícias são boas. Apesar dos esforços da equipe do Parque, muitas pessoas ainda praticam a caça na região, um ato cruel e primitivo, sendo que muitas vezes animais à beira da extinção são abatidos. O roubo de madeira e os incêndios provenientes de queimadas ilegais também são fatores que afetam negativamente a fauna, uma vez que causam a destruição da floresta, reduzindo ainda mais os fragmentos remanescentes.
Outra atividade revoltante é o tão divulgado tráfico de animais silvestres. Pode não parecer, mas o simples fato de comprar um bichinho de estimação diferente, como um papagaio ou um mico, acaba contribuindo diretamente para a ocorrência deste crime hediondo. E uma vez tirado de seu lugar de origem, ainda que o animal seja apreendido pelo IBAMA, antes de ele poder ser devolvido à natureza, haverá um árduo trabalho de readaptação, nem sempre bem sucedido.
Diante deste quadro, buscamos soluções. A iminente criação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres em Eunápolis é uma grande vitória para a fauna do Extremo Sul da Bahia. Mas isso só não basta frente a tantos problemas. A regeneração de áreas degradadas, recuperando e aumentando os locais de ocorrência de espécies de fauna ameaçada, também é fundamental. O estabelecimento de parcerias, visando maiores investimentos em pesquisa, fiscalização e educação ambiental, são necessidades urgentes para as estratégias de conservação.
Por fim, nenhum esforço neste sentido será bem sucedido sem a ajuda da população. Esta ajuda pode se dar de muitas formas: não comprando animais silvestres, não caçando, denunciando ao IBAMA quem pratica crimes ambientais e, principalmente, divulgando para as pessoas que, se cada um fizer a sua parte, a biodiversidade, maior riqueza da região, continuará sendo motivo de orgulho para todos nós.

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