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A
mata atlântica
A Mata
Atlântica está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do
interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ao longo de toda a costa
brasileira a sua largura varia entre pequenas faixas e grandes extensões,
atingindo em média 200 km de largura.
Assim, ao longo de todo sua extensão, a Mata Atlântica apresenta uma variedade
de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com
estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as
características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento
comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano.
Aspectos Geográficos
A Mata Atlântica está presente tanto na região litorânea como nos planaltos e
serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ao longo de
toda a costa brasileira a sua largura varia entre pequenas faixas e grandes
extensões, atingindo em média 200 km de largura.
Neste breve parágrafo acima facilmente notamos o que é uma das mais importantes
razões pela qual a Mata Atlântica é tão rica em sua biodiversidade. Uma árvore
de uma dada espécie nascida no nível do mar difere de uma árvore desta mesma
espécie no topo da serra. Se uma variação de altitude apenas já exerce
influencia significativa sobre as espécies, é possível imaginar o que a
diferença de pluviosidade, temperatura, fertilidade dos solos, relevo,
iluminação, entre muitas outras, gerou em termos de diversidade de flora, fauna,
micororganismos, e os ecossistemas que estes compõem, ao longo do litoral
brasileiro.
Assim, ao longo de todo sua extensão, a Mata Atlântica apresenta uma variedade
de formações, engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com
estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as
características climáticas da vasta região onde ocorre, tendo como elemento
comum a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano. Segue um breve
descritivo destas diversas formações:
Próximo aos oceanos, estão as planícies de restinga, dunas, mangues, lagunas e
outros estuários de menor proporção. Os mangues estão presentes às margens das
lagunas ou de rios de água salobra, variando conforme as marés. Eles são
considerados os berçários de grande parte da vida marinha.
Na Região Sudeste está presente a Serra do Mar com uma grande cobertura vegetal
e constituindo uma verdadeira muralha, ou ainda, o primeiro degrau dos planaltos
do interior. Em função das suas várias reentrâncias, toda costa marítima da
Serra do Mar é constituída de baías e enseadas.
Já na Região Sul e Sudeste, destacam-se vários dos mais importantes sistemas
lagunares do Brasil, com a Lagoa Patos e Mirim, no Rio Grande do Sul e o
Lagamar, em São Paulo entre várias sistemas menores espalhados pelo Brasil.
Na Bahia, grande parte da Mata Atlântica fica restrita à região litorânea, mas
ao Sul do Estado ela avança para os planaltos do interior em diversos patamares,
como se fosse uma grande escadaria.
A fisionomia da paisagem não reflete apenas a junção dos resultados de contínuas
e diferentes mudanças climáticas ao longo da história da formação do planeta,
mas também representa seu efeitos acumulados no tempo e no espaço,
inter-relacionando a história geológica e a paleogeografia, que é a
"pré-história" das mudanças dos relevos em relação ao diferentes climas.

A Fauna e a Flora

A Mata Atlântica representa uma grande riqueza de
patrimônio genético e paisagístico, demonstrada por índices verdadeiramente
impressionantes: 55% das espécies arbóreas e 40% para espécies não arbóreas são
endêmicas (ou seja: uma, entre cada duas espécies ocorre exclusivamente naquele
local). Os números não param por aí: 70% no caso de espécies como as bromélias e
orquídeas e no caso da fauna, 39% dos mamíferos que vivem na floresta são
endêmicos. Mais de 15% dos primatas existentes no Brasil habitam a floresta e a
grande maioria dessas espécies são endêmicas.

Fauna
Garça-branca-pequena -Mico-leão-de-cara-dourada -Bicho-preguiça -Gato-do-mato
-Tié-sangue -Borboleta
Tamanduá-bandeira -Sagui-da-serra -Tatu-peludo -Caranguejo-guaiamu
-Mono-carvoeiro -Jaguatirica- Tucano -Cobrras
Flora
Guapuruvu - Caixeta -Pinheiro-do-Paraná -Quaresmeira e Manacá -Cássia Orquídeas
-Araucária -Urucum -Jequitibá-rosa -Embaúbba - Pau-brasil - Orelha-de-pau -
Sibipiruna - Cedro - Ipê-amarelo - Jacarandá -Manacá-da-serra - Palmito-juçara -
Pau-ferro
Impactos e pressões sobre os remanescentes

Após 500 anos de destruição ininterrupta, ora mais
rápido, ora menos, os poucos remanescentes que restaram da Mata Atlântica
continuam e continuarão sofrendo impactos até quase sua extinção total. Entre os
principais motivos podemos destacar: a política desenvolvimentista da década de
1970, a poluição ambiental, o crescimento desordenado de quatro das principais
capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, a
política de reforma agrária praticada na década de 1980, a falta de uma política
florestal nacional, a prática de queimadas para a criação de novas áreas para
pastagem, entre outros. Vamos a seguir analisar esses itens.
A política desenvolvimentista da década de 1970, incrementada pela visão
militarista de grandes obras, construiu hidrelétricas, pontes, rodovias,
barragens, usinas nucleares, incentivou a implantação de grandes conglomerados
industriais, tais como Cubatão. Isso significou para a Mata Atlântica a perda de
grandes áreas, além da sua contínua fragilização e fragmentação. Tal visão
desenvolvimentista só foi encontrar os primeiros obstáculos já em meados da
década de 1980, com o processo de reabertura política e o escasseamento dos
empréstimos internacionais que financiavam as grandes obras.
Um dos problemas mais graves que a região da Serra do Mar sofreu na década de
1980, também em função da política desenvolvimentista, foi a implantação do pólo
industrial de Cubatão, para a fabricação de aço, petróleo, cimento e produtos
químicos. As consequências dessa política tornaram Cubatão sinônimo mundialmente
famoso de catástrofe ecológica. Tais indústrias foram instaladas sem qualquer
preocupação ou controle dos riscos ambientais, além de ter atraído para a região
uma enorme quantidade de pessoas sem qualificação profissional que foram morar
em favelas construídas sobre os manguezais e próximas das indústrias. A união
desses dois elementos foi crucial para um aumento significativo de deslizamentos
que passaram de 165 para 525 entre 1971 e 1985, causados pelas chuvas ácidas,
além de uma catástrofe que provocou a morte de mais de duzentas pessoas, por
conta de um vazamento de gasolina.
Um outro fator que tem contribuído para a diminuição dos remanescentes de Mata
Atlântica é o crescimento desordenado das cidades. A demanda de matéria-prima,
energia e espaço das cidades tem provocado cada vez mais o esgotamento da
floresta. As últimas matas primárias existentes, protegidas ou não, estão sendo
cortadas e vendidas. Os loteadores clandestinos agem nas brechas da falta de
fiscalização, vendendo lotes baratos para a população de baixa renda, alegando
uma futura regularização.
Em São Paulo, em 1997 um milhão de árvores foram retiradas da Serra da
Cantareira, considerada a maior floresta urbana do mundo. Neste mesmo caminho,
encontram-se as especulações imobiliárias do litoral para as casas de veraneio,
com a apresentação de títulos de propriedade duvidosos, expropriações forçadas,
apropriação de terras indígenas.
É nas áreas litorâneas que a Mata Atlântica sofre os maiores impactos. A
especulação imobiliária, a pressão demográfica e a ocupação desregrada estimulam
a degradação ambiental. O que atualmente se observa, além da ocupação
clandestina, é a implantação de grandes complexos turísticos sem um planejamento
ambiental devidamente orientado, novos condomínios que devastam as últimas áreas
de restinga e matas de encosta. Nestes locais não são implantados sistemas de
esgotamento sanitário, o que também acaba por prejudicar os poucos manguezais
ainda existentes e também a fauna marinha da costa.
Dois destaques importantes que pressionaram para a ameaça de extinção da
floresta foram as ações ou a falta de ações governamentais para a proteção Mata
Atlântica. A política de reforma agrária da década de 1980 trouxe outros
prejuízos para a Mata, já que neste período o INCRA - Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária classificava a terra de matas como "subutilizada",
não fazendo distinção entre floresta nativa e plantada. Neste período os
proprietários de terras que se sentiam ameaçados pela prováveis desapropriações
correram em vender o que restava de madeira em suas propriedades, ou então,
queimavam suas reservas legais e a transformavam em pastagens.
O segundo destaque foi a falta de uma política florestal sistematizada. As
unidades de conservação criadas nos últimos anos para proteger o que restava da
floresta eram uma verdadeira mistura de conceitos: várias classificações
diferentes, criadas de formas variadas por tipos de leis diferentes. Essa
fragilidade legal abria espaço para que vários órgãos públicos se
responsabilizassem por áreas de remanescentes, assim os recursos financeiros
também eram dispersos, o que impedia a criação de um sistema de fiscalização
único.
Muitas das unidades criadas não possuíam referência legal, ou seja, não se
conhecia sua extensão, e por conseqüência seus limites, o que permitia as ações
predatórias das serrarias, dos loteadores, dos pecuaristas, dos latifundiários e
dos próprios governos que continuavam a implantar seus projetos sem avaliar os
impactos ambientais. A burocracia também deu sua contribuição para diminuir a
extensão da Mata Atlântica.
Um dos piores inimigos da floresta foi e continua sendo o fogo. A técnica
adquirida no período da colonização, nunca foi abandonada pelos agricultores e
pecuaristas, sejam eles grandes ou pequenos proprietários. Em 1986, 13% das
terras de mata de Minas Gerais foram queimadas e em 1989 foi a vez de 300 km2 da
floresta ao sul da Bahia. Por meio de inúmeras pesquisas, descobriu-se que até
metade dos incêndios florestais ocorridos na mata são criminosos, o que
significa dizer que a legislação não tem sido aplicada de forma eficiente.
O resultado de todos esses processos destrutivos é uma fragmentação cada vez
maior da Mata Atlântica e a conseqüente perda da biodiversidade, seja pela perda
de áreas significativas, seja pela diminuição da troca genética.
Fonte: SOS Mata atlântica

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