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Tartarugas marinhas

Conheça um pouco mais sobre a Tartaruga-Verde, o símbolo do Projeto Amiga Tartaruga (PAT)

Lourdes Acerbi e Paolo Botticelli.

 Os pescadores da região comentam que avistam ainda muitas tartarugas nadando à volta dos nossos recifes de corais ou em baixo das nossas lindas falésias.  A maior parte são Tartarugas-Verdes (Chelonia mydas).  Embora não desovem em nossas praias, o Sul da Bahia é uma importante área de alimentação de juvenis dessa espécie - por serem herbívoras, vêm se alimentar de pastagens marinhas e algas - tanto assim que o PAT escolheu a Tartaruga-Verde como símbolo do projeto.  

Curiosamente, não é a cor externa que lhe deu esse nome, mas sim a gordura localizada abaixo de sua carapaça, que tem a forma oval.  A cor da carapaça de um indivíduo adulto varia de castanho esverdeado a cinzento.  É a maior das tartarugas marinhas de carapaça dura. O casco pode medir até 150cm e seu peso varia de 40kg a 160kg, chegando a pesar até 350kg.  Uma de suas peculiaridades é o maxilar serrilhado para cortar a vegetação de que se alimenta na idade adulta.

 A Tartaruga-Verde é, provavelmente, a mais conhecida das tartarugas marinhas, por causa da “sopa de tartaruga” e pela quantidade de pesquisas realizadas para conhecer um pouco mais sobre ela.  Algumas dessas pesquisas vêm sendo conduzidas em função de uma doença chamada fibropapilomatose: tumores que se espalham pelo corpo do animal, prejudicando a mobilidade e a alimentação das tartarugas, levando-as à morte, e que parece acometer mais as Tartarugas-Verdes. Um estudo feito pela Associação Brasileira de Microbiologia do Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, aponta que 43,8% das Tartarugas-Verdes apresentaram salmonelas. Os quelônios marinhos são também vetores das hepatites A e B. 

Todas as tartarugas marinhas da nossa região estão na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção da UICN – União Mundial para a Natureza e do IBAMA.  Dessa forma, vale lembrar que, no Brasil, a pesca e o abate de tartarugas marinhas, assim como a coleta de seus ovos, é proibido por lei, sendo crime inafiançável, com pena de até dois anos de cadeia (Port. n.º 005 de 31 de janeiro de 1986 e Lei de Crimes Ambientais).

 A proteção das tartarugas marinhas e a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos são responsabilidade de cada um de nós, para permitir que as futuras gerações também tenham o privilégio de testemunhar este maravilhoso ciclo de vida.  

O Projeto Amiga Tartaruga (PAT) é uma ONG (organização não-governamental) que atua desde 1997 na chamada Costa do Descobrimento, nos municípios de Belmonte, Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Prado. Em Prado, esse trabalho é desenvolvido em parceria com a APPA, sob a coordenação do Régis, que monitora os 84km de litoral pradense, e apoio do Marcelo Mejia, que faz todo o registro fotográfico das ocorrências. 

O PAT tem como objetivo a Conservação, Proteção e Manejo dos ecossistemas marinhos, através da conscientização e participação das comunidades locais.

Operando exclusivamente com trabalho voluntário, o PAT foi a primeira ONG brasileira autorizada a efetuar o manejo de tartarugas marinhas, através do "Protocolo pela Proteção das Tartarugas Marinhas", assinado em 1998 com o Projeto TAMAR-IBAMA.  

Saiba outros detalhes sobre as tartarugas marinhas

As tartarugas marinhas costumam subir para desovar à noite.  Em geral, estimamos o horário de desova pelos rastros que ela deixa, comparados à tábua de maré. Quando ela desova na maré baixa, os rastros são bem nítidos. Os rastros mais nítidos são os que ela deixa quando sobe para desovar. 

 Dá-se o nome de “cama” a toda a área que a tartaruga marinha limpa com as nadadeiras anteriores para então cavar um buraco com as posteriores, onde coloca os ovos. O local onde esses ovos são depositados é chamado de “boca do ninho”. As tartarugas podem fazer duas, três ou mais camas.

 As desovas podem acontecer na areia ou na salsa (vegetação de restinga) da praia e mesmo no pé do barranco formado pela maré alta.  Mesmo assim, muitas delas sobem o barranco para desovar, fazendo a cama e colocando seus ovos na faixa de praia ocupada pela salsa. 

Quais espécies desovam aqui? Pelos dados coletados, estima-se que as tartarugas Cabeçuda (Caretta caretta) e Pente são mais freqüentes, com algumas desovas da espécie Oliva. No município de Prado existem registros de desova da tartaruga de couro.  

Data da eclosão: Dependendo do clima, a eclosão acontece cerca de 50 a 60 dias da data de desova; se mais chuvoso, pode acontecer atraso nas eclosões, porém, se o clima estiver quente, essas podem ser antecipadas de 5 a 10 dias.   

Quantas tartaruguinhas nascem em cada ninho? Normalmente a eclosão em um ninho pode trazer à vida  90 a 180 tartaruguinhas. 

Levando-se em conta que apenas 1 em cada 1.000 tartaruguinhas nascidas conseguem atingir a idade adulta para reprodução, voltando para desovar na mesma praia onde nasceu somente quando tiver entre 25 e 30 anos de idade, é muito importante fazer o possível para  protegê-las!   

Faça a sua parte: não consuma carne e ovos de tartarugas marinhas ou seus subprodutos!


 

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